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Virtual campeão e sem casa, Macaé terá estádio público de R$ 22 mi

Quarta, 28 de outubro de 2009, 11h11

No último domingo, o Macaé bateu o São Raimundo por 3 a 2 e colocou uma mão no título da Série D. O palco da façanha foi o estádio Raulino de Oliveira, localizado em Volta Redonda e também conhecido como Estádio da Cidadania. O mando de campo era do Macaé, mas a curiosidade é que Volta Redonda fica distante 300 km de Macaé. Dura realidade dos que não têm estádio. Realidade que, para o Macaé, está perto de mudar

Em 2010, o Macaé, da cidade de mesmo nome, vive a expectativa de um novo estádio para 16 mil pessoas, construído pela Prefeitura local e orçado em R$ 22 milhões. As informações são do presidente de honra Theodomiro Bittencourt Filho, o Mirinho, que também é vice presidente da Câmara Municipal e possui 10 mandatos como vereador.

Ao lado de Chapecoense-SC, São Raimundo-PA e Alecrim-RN, o Macaé-RJ é um dos clubes retratados na série de quatro reportagens que à imprensa traz nesta semana. Os quatro "campeões" que conseguiram o acesso na primeira edição da nova Série D criada pela CBF têm histórias particulares, que atestam o abismo que separa os grandes clubes daqueles nanicos, que brigaram por um módico lugar entre os 60 maiores do país do futebol.

Apoio municipal

Mirinho é a figura central do Macaé. Um dos fundadores, ele tem trânsito político na cidade, cuja Prefeitura patrocina o peito da camisa macaense e está bancando um estádio inteiramente novo. Também há um centro de treinamento nos planos.

"O estádio seria construído por uma empreiteira que faliu, então agora é tocado por uma segunda empresa. Em 15 de janeiro, o prefeito (Riverton Mussi) prometeu que vai inaugurar o estádio", explica Mirinho. "O primeiro orçamento foi de R$ 8 milhões e pouco, mas agora aumentou porque incluíram uma ponte, que vai desafogar o trânsito. Ficou em R$ 22 milhões", disse.

Segundo o presidente de honra do Macaé e vice da Câmara Municipal, também está em aprovação pelos vereadores a doação de um terreno da Prefeitura, com 25 mil m², para a construção de moderno centro de treinamento.

Apesar da evolução em infraestrutura, Mirinho assegura que o clube é tocado com dificuldades financeiras, especialmente pela precariedade da Série D. Os salários chegam até a atrasar, mas para pôr tudo em dia vale o improviso, um pacto com o elenco e, mais uma vez, o apoio municipal.

"Aqui atrasa um mês, a gente paga o outro, é assim mesmo. No ano passado, ficamos três meses atrasados, mas a Prefeitura vem e ajuda, empresta um dinheiro", conta ele. De acordo com Mirinho, a folha salarial é de R$ 80 mil mensais, porque "todos concordaram em ganhar menos durante a Série D e reduziram os salários".

O presidente de honra do Macaé diz que, além da Prefeitura, o clube tem o apoio de "duas ou três empresas que ajudam", mas ele diz que "não fala o nome porque não está autorizado a dar". "Elas pediram inclusive para não serem citadas, mas quando tiver o estádio vamos colocar placas deles. Vai chover gente querendo nos apoiar".

Viagens intermináveis

Enquanto não tem estádio próprio para jogar a competição, o Macaé precisou se mover para algumas casas diferentes, como a do América-RJ, Americano, uma inusitada semifinal no Maracanã contra a Chapecoense e, recentemente, para o Raulino de Oliveira, onde foi jogada a final contra o São Raimundo: o resultado foi vitória macaense por 3 a 2.

"Foi o adversário mais duro que tivemos, tem um conjunto muito forte. Quando faltavam 10 minutos, perdi dois jogadores e fiquei com nove", afirma Mirinho, que fala do clube em primeira pessoa. De acordo com o dirigente, o fato de o jogo ser em Volta Redonda, onde mesmo com portões abertos o público foi de apenas 800 pessoas, acabou prejudicando.

"Se esse jogo é em Macaé, dava 7 mil pessoas. Nós perdemos essa renda", afirma Mirinho, que contou com 10 ônibus lotados de torcedores que foram até Volta Redonda. "Foi doação da Prefeitura", conta.

As viagens, aliás, são apontadas pelo dirigente como o principal problema ao longo da campanha na Série D. Para Alagoinhas, na Bahia, segundo ele, foram 52 horas de ônibus, somando ida e volta. Entre uma viagem para Jundiaí e duas para Juiz de Fora, um total ainda de mais 45 horas na estrada. "Além de deficitário, o torneio é muito cansativo", disse Mirinho, que atribui a grande campanha à união dos jogadores e uma base sólida.

"Trouxemos o Toninho Andrade, que é um grande treinador. E já tínhamos uma base montada, com Lugão (ex-Fluminense), Bill (ex-Botafogo) e André Gomes (ex-Flamengo), entre outros. Vieram poucos jogadores novos", crê Mirinho, que é pai de Válter Luís Medeiros Bittencourt, o presidente do clube em exercício. "Mas sou eu que faço tudo, contrato, só não posso assinar", diz.

A chegada até a Série C, quem sabe com o título, comprova o bom momento do Macaé, cujas atividades profissionais no futebol não superam duas décadas. Em 2008, foi oitavo lugar no Estadual do Rio, campanha que melhorou neste ano, de quinta posição. Na Série D, são oito vitórias, quatro empates e três derrotas. A Prefeitura sorri.

Lancepress!


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