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Quarta, 13 de setembro de 2008, 16h00 Foi uma homenagem, mas entregue no saguão. As jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol receberam a medalha da ordem nacional do mérito futebolístico da Federação Paulista de Futebol (FPF) nesta quarta-feira. Mas ao invés do palco do salão nobre, onde têm sido recebidos os candidatos à Prefeitura de São Paulo nas últimas semanas, elas foram aplaudidas e homenageadas no alto da escadaria de acesso ao salão. Segundo a Federação, o local é considerado pertencente ao salão nobre e foi utilizado apenas por ser mais espaçoso para o evento.
Apesar da situação sui generis, as jogadoras não manifestaram descontentamento e preferiram elogiar a iniciativa. Mas quatro anos depois da conquista de seu primeiro pódio olímpico, o discurso das vice- campeãs em Pequim praticamente não difere daquele pós Olimpíadas de Atenas. A meia Maycon Jackson lembrou que a modalidade precisa de mais que apenas incentivos verbais. Aos 31 anos, ela disputou sua segunda e última olimpíada. “O Brasil sempre foi bem representado desde os anos 80, sempre esteve entre as quatro melhores do mundo. Se tivermos incentivo da parte financeira, com certeza, vamos ganhar o ouro”. Apesar do histórico positivo da equipe, ela admite que ao longo dos anos não tem notado muitas mudanças na situação. “Até agora não (mudou muito), mas acredito que este incentivo (ordem nacional) é muito importante e com tudo isso as coisas consigam melhorar”. Já a meia Formiga foi mais cética. No futebol desde os 12 anos, ela foi categórica. “Pelo nosso desempenho, esta homenagem foi boa, mas o que nós precisamos é de campeonatos e respeito. O que nos ouvimos são promessas e promessas, só sabem falar”, desabafa. Apesar de sentir carinho e respeito da parte do público, ela não esconde que quando o assunto são os dirigentes, a coisa muda de figura. “Até agora não conseguimos mudar o olhar dos dirigentes para o futebol feminino e eu me pergunto: qual o mérito destes dirigentes? Porque certamente poderíamos chegar ao nível dos outros países”. A ausência de torneios nacionais e regulares ainda incomoda a jogadora. O Campeonato Paulista é de vida mais longa no circuito. Criado em 1987, foi suspenso nos oito anos seguintes e só voltou a ser disputado em 97. Sofrendo nova interrupção em 2003. O torneio, porém, não é suficiente para satisfazer a jogadora. “Temos campeonato, mas não divulgação e também não basta que dure dois ou três meses”. Formiga defende a organização de um calendário, mesmo, “como nos Estados Unidos, Alemanha, Suécia e até no Japão”. A homenagem da Federação Paulista, e as que já foram feitas em eventos isolados por clubes e associações, serão as únicas que a seleção feminina receberá. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não organizará nada para o grupo e uma premiação em dinheiro também está descartada pela entidade. “Estamos agindo igual para os dois grupos (masculino e feminino). Já houve prêmio antes, mas não haverá agora”, explica o assessor Rodrigo Paiva. Em 2004 e 2007, a Confederação premiou as jogadoras pela conquista dos vice-campeonatos nas Olimpíadas de Atenas e da Copa do Mundo da China, respectivamente. Além de Maycon e Formiga, Andréia Rosa, Erika Santos, Maurine Gonçalves, Fran, Fabi Baiana, Cristiane, Ester Aparecida, o técnico Jorge Barcellos e até a capitã Aline, cortada às vésperas dos Jogos por causa de lesão, também foram homenageados. Lancepress! |