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Terça, 18 de novembro de 2008, 15h17 A Travessia do Pacífico entrou em sua reta final. O brasileiro Beto Pandiani e o francês Igor Bely deixaram a Nova Caledônia com destino a Bundaberg, na costa australiana, ponto final da aventura que pretende conectar o Chile à Austrália em um catamarã sem cabine, totalizando 17 mil quilômetros de aventura. A dupla pretende completar as 700 milhas do último trecho da viagem por volta do próximo dia 21.
Os velejadores haviam planejado permanecer por uma semana na Nova Caledônia. Decidiram, porém, antecipar sua volta ao mar por causa da falta de vento, que torna a navegação mais lenta. “Neste trecho, o pior está sendo lidar com a ansiedade. O que acontece é que a temporada de furacões está chegando, e isto faz com que os ventos deixem de soprar”, explicou Pandiani. Além dos ventos, Pandiani aponta o forte calor da região do Pacífico Sul como a principal adversidade encontrada pela dupla nesta etapa da travessia. “O sol está nos castigando. Nem mesmo os dois guarda-sóis nos salvam, pois o reflexo na água e o calor que passa pelo tecido nos assa. O sol vem bem no nosso rosto à tarde, e os dias estão quase sem nuvens”, conta o velejador. Para superar essas adversidades, os aventureiros ganharam uma companhia especial. “Ontem, pela primeira vez na viagem toda, recebemos a visita de golfinhos, que ficaram nadando bem na proa do barco”, comentou Pandiani, que se disse surpreso com a quantidade de peixes e pássaros encontrados nesta fase da viagem. O momento tranqüilo vivido pelos velejadores é comemorado pela dupla, que teve problemas com o barco ao enfrentar várias tempestades durante a viagem. A última quebra fez com que Beto e Igor fizessem uma pausa de três meses na aventura, entre agosto e novembro. “O lado bom de tudo isso é que o barco não está sendo forçado, vai deslizando devagar por um mar quase de azeite. As noites têm sido os melhores momentos, pois fica bem fresco, tem uma lua cheia enorme, e o mar está mexendo muito pouco. Se tudo continuar assim, vamos chegar a Bundaberg no dia 21”, destacou Pandiani. A Travessia do Pacífico foi iniciada em outubro do ano passado e teve a primeira etapa entre Viña Del Mar, no Chile, e Mangareva, na Polinésia Francesa, com uma única parada na Ilha de Páscoa, depois de 7 mil quilômetros velejados em 31 dias. A expedição foi interrompida por três meses, esperando o término da temporada de furacões na região. Aproveitando a pausa, a dupla de velejadores lançou no final de março o primeiro DVD da expedição e retornou para a Polinésia em abril, recomeçando a aventura com destino a Austrália. Depois de passar por Fakarava, Taiti, Morea, Ilhas Cook e Tonga, Beto e Igor seguiram para a Nova Caledônia, última escala da Travessia antes da chegada à Austrália. Na metade do caminho, porém, enfrentaram ventos fortes e tiveram problemas com o catamarã. Pararam em Vanuatu, a cerca de mil milhas da Austrália, para arrumar o barco e esperar a melhora das condições do tempo. Após uma pausa de três meses, embarcaram rumo à Nova Caledônia, onde permaneceram por cinco dias, antes de partirem para a última etapa da viagem. A dupla deve chegar a Bundaberg, na Austrália, por volta do dia 21 de novembro. Gazeta Press |